Aconteceu em Petrópolis – Petrópolis e a classe operária no início do século XX (parte 2)

por Norton Ribeiro

Ao final dos anos vinte, Petrópolis já contava com um significativo parque industrial, voltado para a produção de tecidos, e alguma tradição com relação à organização de associações. Através dos diversos movimentos, fossem estes grevistas ou não, os operários lutavam em favor da melhoria dos salários e condições de trabalho. Neste momento de sua história, os trabalhadores, sobretudo da indústria têxtil, buscavam solucionar as questões salariais reunindo-se em “Uniões” operárias, sendo a “União dos Operários em Fábricas de Tecidos” uma das mais importantes.

As negociações envolvendo os operários organizados, e mesmo aqueles que não faziam parte das associações, os gerentes e a direção das fábricas eram sempre difíceis. A legislação trabalhista mostrava-se quase totalmente ausente e os operários careciam de instrumentos legais que pudessem dar-lhes algum respaldo. Do mesmo modo, no momento em que uma greve ou paralisação da fábrica por um dia fosse decretada, era comum a polícia entrar em prontidão, mandando, inclusive, policiais a cavalo até a porta das fábricas para observar a movimentação. Ainda assim, reforços poderiam vir de Niterói, então capital do Estado, e até mesmo do Exército, ficando o 1° BC atento aos acontecimentos na cidade. Em artigo expressivo publicado pelo Jornal de Cascatinha em 1929, uma colunista sob o nome de Sylvia Rabello, fala do direito de greve dos operários de Cascatinha que foram maltratados devido ao movimento e que a polícia ofereceu-lhes as “patas de cavalo” como resposta (Jornal de Cascatinha, 3/03/1929).

Segundo o depoimento de Dona Pedentrina Fernandes, nascida em 18/10/1924 e já aos 11 anos de idade trabalhava na fábrica Cometa do Meio da Serra, podemos ter uma ideia dos conflitos entre a polícia e os trabalhadores:

… antigamente não tinha sindicato… tinha algumas pessoas [que] lutavam pela carteira profissional, lei de férias, lei de aposentadoria, essas coisas todas. E quando eles lutavam… eles iam pra dentro do mato em 1º de maio, 7 de setembro então já tinha uma lista das pessoas que lutavam por essas leis, a polícia aparecia lá batia, batia, quebrava até os dentes! Muitos sumiram, tenho alguns amigos que sumiram.

Da mesma forma, as negociações por aumentos salariais demandavam habilidade política dos sindicatos e de seus advogados. Como ainda não havia os dissídios coletivos por reajuste, os representantes conversavam diretamente com os diretores das fábricas e, com alguma insistência, conseguiam aumento. Os índices também variavam muito e, na maioria dos casos, eram decididos pelos empregadores. Portanto, eram negociações diretas e sem mediação de qualquer Justiça do Trabalho e do governo.

A luta dos trabalhadores continuaria pelos anos subseqüentes passando pela intervenção sindical do governo Vargas, pelos conflitos entre integralistas e comunistas na cidade, por melhores condições de moradia e de trabalho, demonstrando o quanto o tema operário ainda pode contribuir para um novo caminho na história da cidade.

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1 comentário

  1. Lenin Ribeiro diz

    A cidade vive uma crise, se não comica é hilaria;Os sindicato hoje fazem parte do grupo dos pelegos, não temos mais industrias, tambem não temos trabalhadores.Caminhamos para o fundo do poço. Breve seremos suburbio de tres-rios.

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