[Coluna literária] 1984 – George Orwell

“O grande Irmão está de olho em você.”

Para quem é fã de distopias, hoje não faltam opções nas livrarias de histórias passadas em ambientes futurísticos e tirânicos, em constante vigilância. Então para quem é fã do gênero, é imprescindível ler as obras que inspiraram autores no mundo inteiro, como Admirável Mundo Novo (do qual já falei aqui), de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell.

Na história de Owell, o mundo está divido em Lestásia (China e os países ao sul, ilhas do Japão, Manchúria, Mongólia e Tibete), Eurásia (parte norte dos continentes europeu e asiático, de Portugal ao estreito de Bering) e Oceânia (Américas, ilhas atlânticas – inclusive as britânicas -, Australásia e a parte sul da África), onde é ambientada a trama.

Oceânia vive o Socing (socialismo inglês), comandada pelo Partido, que controla a tudo e a todos e é representado pela figura do Grande Irmão, cujos slogans são: Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força. Na casa de todas as pessoas há teletelas que observam cada movimento de seus cidadãos, não há vínculos entre os pais e seus filhos, que desde pequenos são treinados para servir ao Partido, isso inclui denunciar os próprios pais em caso de atitude suspeita; o sexo por prazer é proibido; o passado é constantemente reescrito; cada um tem sua função determinada pelo governo e ter uma mente livre é considerado crime gravíssimo.

A língua falada é a Novafala que além de fornecer um meio expressivo compatível com a visão de mundo e os hábitos mentais dos adeptos do Socing, também inviabiliza toas as outras formas de pensamento.

O governo é dividido em quatro ministérios: Ministério da Verdade, responsável por notícias, entretenimento, educação e belas artes; Ministério da Paz, responsável pela guerra; Ministério do Amor, que mantém a lei e a ordem; e o Ministério da Pujança, responsável pelas questões econômicas.

Na história, acompanhamos Winston Smith que se rebela contra essa sociedade totalitária, ao se envolver amorosamente com Júlia, e com a Confraria, uma organização revolucionária secreta.

Contudo, o que mais chama a atenção é o cuidado com que Orwell escreveu a história, cada detalhe e termo criado (como “duplipensar”, por exemplo) para descrever essa sociedade totalitária. Em uma parte, Winston lê um livro da Confraria que é basicamente uma aula de história sobre esse mundo, explicando cada slogan do Partido, as guerras entre os territórios… isso sem falar que no “Apêndice”, é possível entender a gramática da Novafala.

Embora tenha sido publicado em 1949, “1984” ainda é uma obra muito atual, pois fala de uma sociedade constantemente vigiada, da manipulação de informações, do ódio e intolerância com quem pensa diferente, do sentimento de consternação que carregamos dentro de nós; ou seja, é a visão de Orwell de como seria o mundo em alguns anos… Qualquer semelhança com a realidade (não) é mera coincidência.

“E as pessoas que viviam debaixo do céu também eram muito semelhantes – em toda parte, no mundo inteiro, centenas de milhares de milhões de pessoas exatamente como aquela mulher, pessoas que ignoravam a existência umas das outras, isoladas por muros de ódio e mentiras, e todavia praticamente iguais – pessoas que não tinham aprendido a pensar, mas que acumulavam em seus corações, ventres e músculos a força que um dia subverteria o mundo. Se é que há esperança, a esperança está nos proletas!”

A história foi adaptada para o cinema em 1984:

A obra também inspirou a famosa trilogia 1Q84, de Haruki Murakami, a qual também já comentei aqui.

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