[Coluna literária] “Assombro” – Chuck Palahniuk

“Inspire. Pegue todo ar que puder. Esta história deve durar tanto quanto você conseguir prender a respiração. Talvez um pouquinho mais. Ouça o mais rápido possível.”

Quando foi lançado nos Estados Unidos, a leitura de um dos contos do livro fez dezenas de pessoas desmaiarem pela riqueza de detalhes de um acontecimento surreal e extremamente angustiante (e nojento). Não vou dar muitos detalhes, mas basta dizer que o conto se chama “Tripas” e é o primeiro do livro.

A obra traz 23 contos e 21 poemas de horror escritos por 18 escritores (fictícios) que respondem ao anúncio de um retiro para escritores iniciantes, sendo levados a crer que, sem as distrações da vida real, poderão criar suas obras-primas. A situação em que eles se metem, entretanto, é bem diferente: trancafiados num teatro abandonado e submetidos a situações limites de desespero, que se refletem nas histórias narradas, que vão ficando cada vez mais assustadoras.

Os poemas são introduções para os contos, que são narrados por cada personagem e de uma forma acabam explicando seus apelidos que é como eles nos são apresentados (Agente Fuxico, São-Pança, Miss América, Lady Mendiga, Reverendo Ímpio, Conde Calúnia, Condessa da Antevidência, Elo Perdido, Casamenteiro, Duque dos Vândalos, Chef Assassin, Baronesa Congelada, Sra. Clark, Miss Espirro, Mãe Natureza, Diretora Negação, Camarada Escárnia e Sr. Whittier). Cada um trata de um tema diferente e são todos interessantes, mas como o primeiro já choca e causa até enjoo, acaba-se criando uma expectativa em relação aos outros que são bem mais leves.

Em relação à história principal, que acaba sendo uma espécie de Big Brother Macabro, mais uma vez Palahniuk critica de uma forma muito irônica e mordaz, características marcantes de suas obras, a fama e o que as pessoas estão dispostas a fazer para consegui-la.

Mais uma vez, com sua escrita única e inconfundível, o autor de Clube da Luta nos presenteia com uma história diferente e criativa, que através de situações exageradamente absurdas refletem a hipocrisia dos dias de hoje.

Não recomendo para estômagos sensíveis. Mas se você procura um autor atual, divertido, crítico e “macabro”, leia Chuck Palahniuk. Leia “Assombro”.

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