[Coluna literária] “Fábrica de Vespas” – Iain Banks

“A  Fábrica de Vespas é parte do padrãoporque é parte da vida e – até mais do que isso – parte da morte. Assim como a vida, ela é complexa, por isso todos os seus componentes. O motivo pelo qual ela responde questões é que cada perguntaé um início procurando por um fim, e a Fábrica diz respeito ao Fim – a morte, nada menos. (…) Eu tenho a Fábrica, e ela trata do agora e do futuro, não do passado”.

Ambientado na Escócia, Frank mora numa ilha com seu pai onde leva uma vida solitária, e se dedica a explorar e a perseguir animais. Seu único amigo é Jamie, um anão, com quem se encontra às vezes num pub na cidade. Fora isso, o único contato que tem com outras pessoas é com seu irmão louco, foragido, que liga frequentemente avisando “que está chegando” e isso o deixa apreensivo, preparando terreno para seu retorno.

Mas o que ninguém sabe é que Frank é um assassino, e já matou três pessoas. Aos poucos vamos sendo apresentados à mente de um psicopata e a sua criação um tanto peculiar, já que o menino nunca frequentou a escola e raramente sai da ilha.

A narrativa em primeira pessoa é bem lenta, e basicamente descreve sua rotina na ilha, relembrando de acontecimentos passados e a cada lembrança, explicando o que aconteceu com seus familiares e com ele mesmo, como e porquê decidiu matar, e fala também de algumas maldades que já fez com animais, além da engenhoca que ele chama de “Fábrica de Vespas”.

Pelo menos até metade do livro não se sabe muito bem para onde a leitura está indo, se é apenas o relato sobre a vida de uma criança psicopata, se é sobre a ameaça da iminente volta de seu irmão louco e assassino de cães, se é sobre o protagonista voltar a matar, ou se é sobre isso ou nada disso… esses e outros questionamentos vão surgindo na cabeça do leitor, mas é realmente apenas no final que há uma revelação bombástica, inesperada, que faz a gente exclamar um “Como assim?”. É por isso que o livro foi tão aclamado e criticado quando foi lançado, e está entre os cem romances mais importantes do século XX.

“Fábrica de Vespas” é de fato surpreendente! Se inicialmente o ritmo da narrativa (ou algumas partes meio indigestas) te desanimar, não desista! O desfecho faz todo o livro valer a pena!

“Restrinjo meus horizontes pelas minhas próprias e boas razões: medo – ora, claro, admito – e uma necessidade de segurança diante de um mundo que, por acaso, me tratou com bastante crueldade, numa idade em que eu sequer tinha meios de revidar”.

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