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Coluna Literária

Petropolitano aborda paranoia e rotina dentro de casa em seu livro de estreia

"Conjugado" conta com prefácio do cantor, compositor e escritor Luís Capucho.

Um apartamento de 17m². Um sujeito que está convencido de que alguém entra e muda as coisas de lugar quando ele não está em casa. Vizinhos. Cotidiano. Esses são alguns dos elementos de “Conjugado”, livro de estreia do petropolitano Luiz Antonio Ribeiro, que será lançado pela Editora Patuá no dia 14 de junho.

Entre prosa e poesia, o livro começou a ser escrito há dez anos, mas a princípio tinha apenas 20 páginas. Durante o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, Luiz resolveu revisitar essa história. “Durante a pandemia, todo mundo começou a refletir sobre estar fechado em casa, né? Aí eu lembrei desse sujeito, tão eu, mas também tão diferente, quase um eu inventado e pensei: ele já se trancava em casa há muito tempo. E por culpa da casa e não da rua”, comenta.

E se podemos perceber as mudanças em nós durante este período de pandemia, que se aproxima de 1 ano e meio, imagine no período de uma década. “Revisitar história foi revistar também eu mesmo há dez anos. E revisitar o meu conjugado que inspirou o livro. Foi um pouco difícil porque eu acho que cada livro tem sua própria linguagem, uma coisa que é só dele e ninguém tasca e, nesse caso, eu precisava retomar aquele livro de dez anos atrás porque era ele que era legal. Não era o eu de hoje que era legal, mas aquele lá. Achar aquele eu do livro foi o desafio. O livro me trouxe a possibilidade de sair de um lugar. Me deslocar. Eu estava fazendo doutorado e lendo coisas teóricas e escrevendo todos os dias. Poder escrever não teoricamente foi um jeito de sair da própria vida e voltar pra outra. Ou inventar uma”, explica Luiz.

Cada história acaba trazendo em si um pouco não só de quem a escreve, como também das pessoas que o cercam. Amigos, familiares ou até mesmo vizinhos acabam sendo inspiração para os personagens, como é o caso de “Conjugado”. “Todo mundo é alguém que conheci no prédio. Ao mesmo tempo, não é ninguém. Porque eu estraguei todas as pessoas. No caso, como o livro fala de tamanhos, o apartamento era mínimo, eu sou muito pequeno, é como se eu olhasse todo mundo tendo outra dimensão. O mundo muito gigante e aterrorizador e eu pequeno e frágil perto do resto”, analisa.

O livro conta ainda com prefácio do cantor, compositor e escritor Luís Capucho. “O Capucho é inspiração, potência, contracultura, força, literatura que escapa dos cânones, maldito sem querer (porque está cheio de poeta que ama ser maldito). É tudo que sempre gostei. Então eu queria que ele me lesse, primeiro, e depois que gostasse e, se pudesse, escrevesse sobre. Ele ter topado é melhor que meu livro, até. Ele deu um toque metafísico para ele que eu nunca tive. Mas talvez eu tenha. Essa que é a graça”, finaliza Luiz Antonio Ribeiro, que também é dramaturgo e doutor em Memória Social na área de literatura brasileira. 

O livro está em pré-venda e pode ser adquirido pelo link da editora: https://www.editorapatua.com.br/produto/249766/conjugado-de-luiz-antonio-ribeiro

Você também pode acompanhar o evento de lançamento on-line: https://www.facebook.com/events/941549000001294/

Marianne Wilbert

Jornalista, pós-graduada em mídias digitais.
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