“Sem a música, a vida seria um erro”, disse Nietzsche certa vez. Já Beethoven falaria que “A música é maior aparição do que toda a sabedoria e filosofia”. Quem não gosta de ouvir uma boa música? Tem programa melhor do que sair com os amigos para escutar bons músicos ao vivo? É claro que as respostas para estas perguntas variam de pessoa para pessoa, porém é bem provável que a maioria há de concordar comigo.
Nossa cidade está cheia de músicos talentosos dos mais variados estilos, mas será que há espaço para eles mostrarem seu trabalho em Petrópolis?
Para Felipe Carvalho, músico de apoio da banda Mukirana, há pouco espaço na cidade – “Você conta nos dedos os lugares que tem para tocar. O problema é que são sempre as mesmas pessoas que tocam sempre nos mesmos lugares”. Já para Mariano San Roman, músico da banda Tokaia, falta seriedade e interesse – “Até existe espaço, embora essas oportunidades muitas vezes sejam dificultadas pelos próprios donos de estabelecimentos ou ‘diretores’ de teatros e ‘responsáveis’ pela cultura em Petrópolis, que deveriam promover o que há de bom por aqui”. Yuri Garrido, músico do grupo Taruíra, concorda que há espaço, mas falta apoio do governo municipal – “A grande maioria dos eventos são realizadas de forma independente, já que os grandes incentivos acabam indo para artistas de fora. Prefere-se usar a verba destinada à cultura trazendo atrações de outros centros do que valorizar o artista que aqui vive”.
Quando perguntados se há como sobreviver de música na cidade, as respostas foram bem diversificadas. Para Felipe, depende do quanto se leva a música a sério e do padrão de vida da pessoa – “Tenho amigos que sobrevivem, porém não é uma prioridade minha. Eu tenho a música como uma renda extra, mas no geral, dá para sobreviver. Tem que ser uma trabalho bem feito e é importante ter contatos”. Já Yuri trabalha há cerca de 10 anos apenas com música, mas não só aqui – “Além do palco e do estúdio, atuo também como professor. Ou seja, ‘multiplicando-se’ dentro da própria profissão, acredito que se consiga viver dela”.
Na opinião de Felipe e Mariano, os estilos que hoje em dia atrai mais público são o sertanejo e o pagode. “Não acredito que uma banda autoral de pop, por exemplo, teria uma vida tão longa ou tocaria com tanta frequência e encheria os lugares sempre”, opina Mariano. Yuri, por sua vez, discorda – “Petrópolis tem grandes grupos, seja de samba, forró, choro, jazz, rock… Além de músicos que ‘passeiam’ por vários estilos sem deixar a desejar. Não vejo uma predominância clara nesse sentido”.
Seja como for, o espaço para que os músicos mostrem seu trabalho ainda é muito pequeno na cidade. Falta iniciativa daqueles que podem e devem promover os talentos de Petrópolis e não só dos artistas que já são renomados. Devemos valorizar estes profissionais locais, para que futuramente, estes tenham reconhecimento e possam mostrar seu trabalho e representar a cidade em outros lugares.


Estava conversando hoje com uma amiga. O problema da arte em geral em Petrópolis não é a produção. Temos música excelentes, temos não muitos, mas alguns espaços e temos público. A grande questão é que não se produz ecos no pensamento sobre esse produto artístico, ou seja, o público que assiste uma peça, um show, não produz opiniões, críticas que servem como resposta à obra, fazendo com que o artista repense e reflita sobre sua produção. Esse intercâmbio de idéias gera riqueza intelectual e cria um ambiente favorável às criações.
Então a impressão geral que temos é que toda peça é sempre a primeira e que toda banda está ainda começando…