[Coluna literária] “Uma garota de muita sorte” – Jessica Knoll

Ani Fanelli tem 28 anos, tem um apartamento em Tribeca, é colunista de sexo da badalada The Women’s Magazine e está noiva de um homem lindo, de família influente. Sua vida não poderia estar melhor. Mas por trás dessa fachada de mulher bem sucedida, um acontecimento de seu passado ainda a atormenta.

De semelhança com outras obras que levam “a garota” em seus títulos (como “Garota Exemplar“, “A garota no trem” e “A garota perfeita“), somente o suspense e uma protagonista com a qual é difícil estabelecer uma empatia, mas, que diferente das obras com a qual é comparada, não chega a ser perigosa ou vingativa. O mais aterrorizante aqui é o seu passado, que embora previsível antes da revelação, ainda assim é agoniante de acompanhar.

Pode-se dizer que Ani comeu o pão que o diabo amassou, já que com apenas 14 anos viveu e viu o suficiente para traumatizá-la para o resto da vida. Mas Ani não é uma vítima das circunstâncias, ela é uma garota de sorte que deu a volta por cima… só que ela vai perceber que manter as aparências pode ser mais doloroso do que imaginava. Afinal, falar daquele dia e participar de um documentário sobre o ocorrido pode ou não ajudá-la a seguir em frente?

Embora todos os elementos de um bom thriller estejam presentes, vi “Uma garota de sorte” mais como um livro de superação, que toca em assuntos dolorosos e aborda a importância das pessoas ao redor para lidar com o que aconteceu, pois, às vezes, quem você mais precisa não te apoia, não te entende ou não dá a devida importância, e isso pode doer mais do que o trauma em si.

Enfim, é uma boa leitura, mas que pode ser um pouco indigesta para pessoas mais sensíveis.

 

“Eu me dei conta de que, quando vamos embora, a vida continua. Ninguém é tão especial a ponto de deter isso”.

 

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